quarta-feira, 4 de maio de 2011

Ouvindo os sinais dos tempos a luz do Documento 85


Ouvindo os sinais dos tempos a luz do Documento 85
Herberth G. Ferreira[1]

1. Para início de conversa

     Nossa história é movida de sonhos, labutas, derrotas e vitórias. Ora uma coisa, ora outra coisa...mas a história continua e temos que seguí-la, pois somos parte dela ... aliás, pontuo: somos transformadores da história.
    Na história da Pastoral da juventude esta caminhada não é diferente. Há alguns anos, o trabalho com a juventude, sobretudo nas ações da Igreja Católica Romana, estava pautada nas ações da antiga Ação Católica, com os conhecidos JAC, JEC, JOC e JUC: Juventude Agrária Católica, Juventude Estudantil Católica, Juventude Operária Católica e Juventude Universitária Católica. Isso tudo nos anos entre 1960 e 1970.
      Passado este período da AC (Ação Católica), a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) trouxe as expectativas das novas mudanças no campo sócio pastoral da Igreja da América Latina. Nos anos 80 surgem as Pastorais como organização específica para cada segmento: criança, família, juventude...nisso, nasce a Pastoral da Juventude como pastoral orgânica da Igreja com a missão de organizar as ações junto aos jovens. As dioceses passaram então a organizar em suas paróquias e nas comunidades pequenos grupos de jovens (entre 12 a 25 jovens) como forma de realizar uma ação mais próxima no campo da formação e acompanhamento da juventude.
      A PJ segue então caminhando dentro de suas ações expecíficas: pastoral da juventude rural, pastoral da juventude estudantil, pasotral da juventude universitária, pastoral da juventude do meio popular e por ai vai...
E não podemos os esquecer do Marco Referencial da PJ (Estudos da CNBB n° 76 - 1997) que, nas palavras de D. Irieu Danelon, apontava algumas questões norteadoras para uma ação pastoral consistente: Quem são os jovens de hoje? Para onde pretendemos caminhar? Quais são as urgências e estratégias principais? Como celebrar tudo isso com alegria e esperança? Este documento foi um subsídio importante para a construção do documento 85 da CNBB.

2. E a história continua...
      A caminhada da PJ não foi fácil, muitos foram os conflitos internos, externos e de segmentos, mas com os mesmos desejos e angustias no que toca a evangelização da nossa juventude e o desejo de mostrar ao mundo o Projeto Salvífico de Jesus.
Os movimentos pastorais, sobretudo no seguimento dos jovens, sentem que a Igreja ainda precisava de algo que manifestasse o real papel da Igreja no cuidado com a juventude.
      Em 2006 a CNBB propõe do que chamamos de “preliminar” quanto ao estudo da Igreja sobre juventude. É lançado então o documento 93: Evangelização da Juventude: Desafios e Perspectivas Pastorais. Este documento é encaminhado às dioceses afim de que os agentes pastorais e especialistas da juventude fizessem suas contribuições e acréssimos ao texto. Vale lembrar que, antes, havia o documento número 44: Marco Referencial da PJ, que serviu também, como subsídio para a construção do documento 85.
     Em maio de 2007, na 45ª Assembleia Geral da CNBB, em Itaicí – SP, é lançado o Ducumento 85 como instrumento de evangelização da juventude do Brasil. Este, mesmo que tardio, taz com louvor o pronunciamento do clero no que toca o “ouvir o grito da juventude que quer viver”.
Vamos, então, ao que traz o documento:

1 – O documento é dividido em três blocos:

1.1   – o primeiro traz uma releitura da caminhada da Igreja em suas ações com a juventude, bem como elementos da realidade juvenil e seu contexto social: perfil sócio-econômico, sócio-religioso, familiar, etc;
1.2   – a segunda parte apresenta um olhar mais teológico da Igreja sobre a juventude. Apresentando o papelo cristão dos filhos de Deus e seu compromisso social e de fé com a juventude;
1.3   Por fim, a terceira parte ou terceiro bloco, traz um indicativo prático para as ações com a juventude: formação, assessorias, acompanhamentos, etc.
Surge, então, como proposta do documento 85, a criação do Setor Juventude como um espaço de articulação entre os diferentes segmentos de juventude dentro da Igreja como a PJ, RCC, Focolares, entre outros. O Setor logo se espalha pelas dioceses do Brasil: umas melhores estruturadas, outras ainda em processo de melhor compreenção do que seja realmente este setor...

3. Mergulhando no Documento 85:

     O documento 85 traz uma exigencia eminente: para se trabalhar com os jovens, é preciso, antes de tudo, conhecé-los. Para isso, o documento propõe um estudo sobre o chão da juventude, conhecer o seu meio, onde vivem, o que fazem. Tudo isso, nos ajuda a compreender o que estamos fazendo e propondo em nossas ações.
      A segunda parte do documento 85 traz o jovem como sendo este capaz de ser um agente evangelizador e a necessidade da Igreja em não se cansar de mostrar a Face de Cristo à essa juventude. Um Cristo que caminha ao lado dos jovens e espera dele/a um exemplo de profetismo e anunciadores da Boa Nova. Outro ponto importante do documento é a dimensão sócio-política que coloca o jovem como colaborador de uma sociedade mais justa e fraterna.
     Por final, e não menos importante, o documento apresenta pistas de ações que podem nos ajudar na caminhada da evangelização como a formação integral. O exercício da mística e espiritualidade, uma pedagogia de formação que atenda as necessidades dos jovens, uma formação que “capacite” outros jovens a serem multiplicadores/as do anúncio da Palavra de Deus e, por fim, o fortalecimento do Setor Juventude em âmbito diocesano.

3.1 A assessoria com um ministério
      
     O documento apresenta a assessoria como um ministério de entrega e constante cuidado com a juventude. Ele apresenta a necessidade de investir na formação e capacitação de jovens, maduros, que desejam avançar para as “águas mais profundas” e se aprofundar no processo da educação da fé. O documento apresenta um perfil para a assessoria e orienta para que os assessores tenham plena clareza de sua missão.

 3.2 Fé a ciência

       Nos últimos anos pudemos ver com certa frequencia, pouca articulação da Pastoral Universitária. O documento traz a importância em se fazer a reflexão fé a razão. Para que a juventude seja capaz de evangelizar e atuar de maneira crítica e construtiva no mundo de hoje.

 3.3 E mãos a obra

     Por fim, o documento 85 traz a importancia da família como a primeira catequese, a primeira educadora da fé e da ética cristã e faz um chamado a nos comprometernos com a causa dos jovens.

4. Conclusão

       De tudo, o documento vem trazer um debate muito importante no meio eclesial e da Igreja como um todo. A roda da vida da juventude é dinâmica e é preciso estar sempre atento/a as mudanças que nos cercam. Para que, assim, nossa ação seja coerente com o desejo e angústia das juventudes. Juventudes, porque ela não é única. Há vários jovens, várias juventudes, gostos, ritmos e jeitos de ser, mas todos jovens que querem viver e ser feliz.

Abraços fraternos
Herberth G. Ferreira
Pela equipe de assessores da PJ
Paróquia N. S. dos Navegantes – Vila Velha – ES – 2011
herberthgf@yahoo.com.br


[1] Herberth Gomes Ferreira é graduado em Serviço Social e pós-graduado em Políticas Sociais pela Faculdade Metodista de Vila Velha – ES, estudante de pós graduação em Ciências da Religião pela Faculdade UNIDA de Vitória. Cursa Teologia Pastoral no IPAV de Vitória e Licenciatura em Filosofia pela UFES. Atualmente é assistente social da Cáritas Estadual, faz parte da equipe de cidadania do CEBI-ES e compõe a equipe de assessoria da Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Vitória.

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